vexilologia, heráldica e história

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Out 09

Até ao século XX, as bandeiras das unidades militares, tinham - além de uma função meramente simbólica, como hoje em dia - a função prática de sinal de reunião e de alinhamento das tropas.

 

A organização do Exército Português em vigor na final da década de 1870, previa que a arma de Infantaria tivesse dois tipos de unidades: regimentos de infantaria a dois batalhões e batalhões independentes de caçadores. Como apenas as unidades de escalão regimento tinham direito ao uso da bandeira nacional sob a forma de bandeira regimental - uma única bandeira, desde 1864, a qual era transportada pelo 1º batalhão - os 2ºs batalhões dos regimentos de infantaria e os batalhões de caçadores não dispunham de qualquer bandeira que lhes servisse de sinal de reunião e de alinhamento.

 

Guiões de 1879

Para resolver este inconveniente, na Ordem do Exército nº 24 de 1879, foi publicada uma disposição que atribuía guiões aos 2ºs batalhões dos regimentos de infantaria e aos batalhões de caçadores. Tal como as bandeiras regimentais eram transportadas pelo alferes mais moderno de cada um dos 1ºs batalhões dos regimentos de infantaria, o mesmo foi estabelecido para os guiões, que seriam transportados pelo alferes mais moderno de cada 2º batalhão de infantaria ou batalhão de caçadores.

 

Cada guião seria de seda, com as dimensões de 0,8 m x 0,75 m. O campo dos guiões de infantaria seria de vermelho e o dos guiões de caçadores seria de verde. Cada guião teria ao centro, em retalho, o número do regimento de infantaria ou batalhão de caçadores, com uma altura de 0,25 m. Os números de infantaria seriam em seda branca e os de caçadores em seda amarela. 

 

                       

Guião de infantaria

(2º batalhão do RI nº 15)

Guião de caçadores 

(Batalhão de Caçadores nº 1)

 Em 1888, foi atribuído também um guião ao Batalhão Colegial do Real Colégio Militar. À semelhança dos uniformes cor de pinhão dos alunos, também o guião seguia o modelo dos de caçadores, tendo o campo de verde, com a abreviatua R.C.M., ao centro, em letras amarelas, sob a coroa real. 

Guião do Real Colégio Militar

  

Guiões de 1897

Entretanto, as organizações posteriores do Exército Português levaram à constituição de regimentos de caçadores que, em 1884, passaram a ter o direito ao uso de bandeira nacional sob a forma de bandeira regimental.

 

Em 1897, estando tanto os regimentos de infantaria com os de caçadores organizados em três batalhões, foi estabelecido um novo sistema de distribuição de guiões pelas subunidades, além de terem sido introduzidos novos modelos. Na Ordem do Exército nº 3 de 6 de Março de 1897 foi estabelecido que cada um dos três batalhões de cada regimento de infantaria ou de caçadores passaria a ter um guião.

 

Os guiões seriam de seda. O guião do 1º batalhão de cada regimento de infantaria teria o campo de vermelho. O do 2º batalhão teria o campo fendido de encarnado e de branco. O do 3º batalhão teria o campo partido de encarnado e de branco.

 

Os guiões de cada regimento de caçadores seriam do mesmo modelo, mas com a cor encarnada substituída pela verde.

 

Tanto os guiões dos regimentos de infantaria com os dos regimentos de caçadores teriam o número da unidade ao centro, em seda preta. 

 

Guião de 1º batalhão de infantaria

(RI nº 15)

Guião de 2º batalhão de infantaria

(RI nº 15)

Guião de 3º batalhão de infantaria

(RI nº 15)

  

Guião de 1º batalhão de caçadores

(RCaç nº 1)

Guião de 2º batalhão de caçadores

(RCaç nº 1)

Guião de 3º batalhão de caçadores

(RCaç nº 1)

 

Referências consultadas

  • SALES, Ernesto Pereira, Bandeiras Regimentaes do Exército e da Armada e outras Bandeiras Militares, Centro Tipográfico Colonial, 1930

 

JOSÉ J. X. SOBRAL

 

publicado por audaces às 18:05

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